Suinocultura

Carne suína: conheça o impacto da COVID-19 na suinocultura

Por 22 de janeiro de 2021Sem comentários

De acordo com dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as exportações brasileiras de carne suína registraram a marca de 98,5 mil toneladas no mês de agosto de 2020, totalizando US$1,488 bilhão entre janeiro e agosto. Mesmo diante de um cenário instável causado pela pandemia do coronavírus, o crescimento no setor não foi impedido.

Os embarques registrados em agosto de 2020 tiveram um aumento de 89,2% em relação ao mesmo mês em 2019. Além disso, a ABPA também calculou um crescimento de 6,5% na produção da carne suína brasileira em 2020, chegando a 4,250 milhões de toneladas

Após a divulgação dos resultados consolidados das exportações brasileiras de carne suína e de frango em 2020, previsões da ABPA em relação ao crescimento do setor foram confirmadas. 

De acordo com dados oficiais divulgados pela Associação, as exportações de carne suína totalizaram 1,021 milhão de toneladas nos 12 meses, um crescimento de 36,1% em relação ao registrado em 2019. O faturamento das vendas atingiu a marca de US$ 2,270 bilhões, uma receita 42,2% maior do que o alcançado em 2019.

Quer saber mais sobre os efeitos da COVID-19 na suinocultura e como o mercado está se comportando diante dos desafios e expectativas para o setor? Então, continue a leitura e confira!

Impactos da Peste Suína Africana para o agronegócio brasileiro

Uma coisa é certa, a pandemia causou e tem causado diversos impactos negativos para todos os países e setores da economia. No entanto, o agronegócio brasileiro tem conseguido superar a crise devido a fatores que já vinham interferindo e favorecendo o segmento mesmo antes da COVID-19.

Como exemplo principal, temos o surto da doença Peste Suína Africana em diversos países e a guerra comercial entre China e Estados Unidos. No ano de 2019, o Brasil já havia registrado um crescimento de cerca de 13% nas vendas de carne para a China, onde 249 mil toneladas foram de carne suína, um aumento de 59% em relação a 2018.

Para 2020, a estimativa de exportação para o país asiático era de 300 mil toneladas. Isso porque a epidemia de Peste Suína Africana resultou no abate de milhares de animais no continente asiático com o objetivo de evitar a disseminação do vírus altamente contagioso.

Além disso, o entrave comercial entre China e Estados Unidos também favoreceu a abertura de novos mercados para que os produtores brasileiros pudessem ajudar a abastecer o mercado chinês diante da redução drástica da proteína animal no país. 

Nesse sentido, como a China também é o maior produtor e exportador de carne suína, a epidemia de PSA desestabilizou os preços e a oferta dessa proteína, abrindo de maneira indireta novas oportunidades de mercado para a carne brasileira.

O problema com a doença não se manteve apenas no continente asiático, durante o ano de 2020 a Peste Suína Africana também foi registrada na Europa, com disseminação em regiões como Grécia, Alemanha, Ásia e Filipinas. Como resultado, a preocupação com a sanidade dos plantéis e dos animais se tornou prioritária no mundo todo, sendo essencial para viabilizar novas negociações e contratos.

Impactos da COVID-19 na suinocultura 

Além da redução na oferta de proteína suína, as questões de produção e logística também foram comprometidas neste ano devido às medidas de contenção para evitar a disseminação da COVID-19. Considerando que o Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de commodities do mundo, as demandas para o mercado externo cresceram de maneira significativa.

No período em que comércios como bares e restaurantes precisaram ficar fechados, a demanda interna por carnes teve uma forte queda, o que também derrubou os preços pagos aos produtores e as vendas dos frigoríficos. Nos meses mais críticos do início da pandemia, como em abril de 2020, o kg do suíno vivo chegou a valer R$ 3,28 em SC.

Ao mesmo tempo, diante da maior demanda de exportação de grãos e da busca dos agricultores pelo beneficiamento em dólar, pecuaristas enfrentaram uma alta nos custos de produção dada pelo maior gasto na alimentação dos animais.

Durante o ano, logo nas semanas em que o preço do suíno despencou, o milho e a soja tiveram preços recordes – o farelo de soja chegou a ser vendido a mais de R$1.700 a tonelada em alguns locais. Esse cenário incerto desacelerou a produção dentro e fora da porteira, acarretando uma redução na oferta de carnes.

Com a volta lenta das atividades comerciais e alimentícias no segundo semestre de 2020, a demanda pela proteína suína voltou a crescer rapidamente, desequilibrando novamente a relação de oferta e demanda. Como consequência, o preço pago pelo kg do suíno vivo em outubro de 2020 registrou recordes, chegando a R$ 9,61 em SP.

Como podemos ver, 2020 foi marcado por instabilidades no mercado interno e externo, na oferta e demanda e nos custos e preços de venda. Até que a situação seja controlada pela imunização e pelo reequilíbrio do poder de compra e da sanidade das produções animais, produtores e agroindústrias precisam estar atentos às novas exigências do mercado. 

Ademais, precisam estar a par das mudanças de comportamento dos consumidores e as novidades tecnológicas que possam agregar valor ao produto, além de garantir boas oportunidades de negócio e otimizar a produção.

Tendência de crescimento mesmo em meio a crise

De acordo com Ricardo Santin, presidente da ABPA: “a alta nas exportações é compensada com uma elevação prevista na produção interna de carne suína, mantendo em patamares estáveis a oferta para o mercado interno. O ganho em receita cambial reduz os fortes impactos causados pela alta dos grãos e pelos investimentos feitos para o enfrentamento da pandemia. As perspectivas positivas para o setor devem se manter nos próximos meses”.

Em relação a demanda externa, a Ásia segue como principal importadora de carne suína brasileira. No mês de agosto, a China importou 50,7 mil toneladas e Hong Kong 14 mil toneladas, um crescimento de 168% e 48%, respectivamente, em comparação ao volume de carne suína importada do Brasil em 2019.

De acordo com uma projeção feita pelo banco Rabobank, embarques de carne suína em 2020 deveriam atingir uma máxima de 1,2 milhões de toneladas, superando a estimativa recorde de 1 milhão de toneladas para o ano. A produção de carne suína foi projetada pelo banco em 4,2 milhões de toneladas em 2021, contra 4,1 milhões estimadas neste ano.

Custos vs. preço: o maior desafio da suinocultura na atualidade

Um dos maiores obstáculos para o setor, impulsionado pela pandemia de COVID-19, é sem dúvidas o desequilíbrio entre os custos de produção animal e o preço do suíno vivo. Mesmo após a reabertura de bares e restaurantes, o comportamento do consumidor ainda tem sido influenciado pela lenta recuperação econômica e de poder de compra da população.

Com a volta de grande parte dos trabalhos e estabelecimentos comerciais, e o aumento na renda devido a fatores como o auxílio emergencial, consumidores têm voltado a recuperar o ritmo de consumo de carnes, mas ainda limitados ao preço e à inflação que também tem batido recordes neste ano no Brasil. 

Dessa forma, a preferência por carnes mais baratas, como a de frango, tem pressionado produtores a produzirem mais para atender ao mercado, o que também pode causar um aumento no preço caso a demanda supere a oferta.

Com a soja e o milho atingindo preços recordes e sendo direcionados em maior parte para o exterior, produtores de suínos têm sofrido com alta nas rações baseadas nessas matérias-primas. Como solução para melhorar a relação de rentabilidade, suinocultores e agroindústrias também têm buscado saída no mercado internacional, para aproveitar a valorização do dólar e recuperar a margem de lucro de seus negócios.

Para atender ao mercado interno e evitar prejuízos, o planejamento dos plantéis e o gerenciamento da alimentação animal precisam ser feitos com atenção e assertividade. Ainda, adotar tecnologias que possam ajudar a controlar o consumo de ração por fase e calcular com maior precisão os custos de produção é uma estratégia valiosa para esse momento.

Buscar alternativas para reduzir os gastos e melhorar a produtividade e a sanidade dos animais também é fundamental para garantir o escoamento da produção e aproveitar as oportunidades de negócio em meio à crise.

Cenário pós-pandemia: prioridade para a segurança sanitária

Diante de todos os acontecimentos ligados à saúde animal e humana, produtores podem esperar por um mercado cada vez mais exigente em relação ao padrão de qualidade e de sanidade na produção animal. As tendências de mercado já têm sido ditadas por novas medidas adotadas por órgãos governamentais, entidades representativas e produtores.

Nesse momento e para um cenário pós-pandemia, o setor de suinocultura priorizará como nunca medidas rígidas de biossegurança e segurança sanitária dos plantéis. Essas medidas serão essenciais para atender o mercado nacional e internacional.

Além disso, mais do que apenas cumprir com as exigências, será necessário comprovar que todos os requisitos foram cumpridos com êxito. Como destaque, vemos que a rastreabilidade tem ganhado cada vez mais importância dentro do segmento agro.

A rastreabilidade não só comprova todos os cuidados que foram tomados com os animais, mas também ajuda a agregar valor e viabiliza soluções mais rápidas e efetivas caso algum problema seja identificado. Dentro dos documentos de rastreabilidade, toda a cadeia de produção se torna integrada e ligada, permitindo com que o histórico daqueles animais seja consultado desde a primeira fase de produção até o beneficiamento do produto final.

Como vantagem para os produtores, a rastreabilidade oferece segurança e garantia como valor agregado, abrindo novos mercados e oportunidades de negociação que recompensem todos os investimentos na produção. Além disso, esses documentos facilitam a obtenção de certificados e otimizam os processos necessários para a comercialização dos animais no mercado interno e/ou externo.

Como destaque em rastreabilidade, temos a plataforma RSUI desenvolvida pela Granter, desenhada com base nos protocolos mais rigorosos de segurança dos alimentos do mundo, garantindo a rastreabilidade suína do campo ao abate e que rastreou cerca de 10% da carne suína exportada em 2020.

Ao investir no RSUI para agregar credibilidade ao seu negócio, a agroindústria consegue ter mais agilidade, qualidade, segurança e transparência em seus processos. Todas as informações necessárias são reunidas de maneira otimizada, facilitando a emissão de boletins sanitários e a conferência dos padrões internacionais de qualidade.

Quer saber mais sobre a plataforma que já rastreou mais de 16 milhões de suínos? Então, entre em contato conosco e confira como a rastreabilidade pode projetar o seu negócio para as boas expectativas de mercado!

Deixe um comentário