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Panorama da suinocultura no Brasil: resultados do primeiro semestre de 2021

Por 27 de outubro de 2021Sem comentários

Acompanhar o atual panorama da suinocultura no Brasil é indispensável para o planejamento de qualquer produtor.

Se as tendências, oportunidades e possíveis riscos apresentados pelo mercado já guiavam as decisões no setor, o atual contexto tornou essa influência ainda mais significativa.

Isso porque, o ano de 2021 está sendo marcado pela reabertura nas atividades de países importadores, que até então tiveram sua demanda afetada pela pandemia.

Além disso, há fatores ligados aos custos de produção, comércio interno, ocorrências regionais, capacidade de abate, entre muitos outros que influenciam o atual contexto produtivo.

Para esclarecer quais pontos merecem mais atenção na área, elaboramos um panorama da suinocultura no Brasil, baseado neste primeiro trimestre. Acompanhe e garanta um embasamento mais sólido para as decisões tomadas na gestão da sua granja. 

Confira o panorama da suinocultura no Brasil durante o primeiro semestre

Uma suinocultura sustentável e mais lucrativa depende de um entendimento pleno sobre o mercado, seus resultados e principais influências. Confira abaixo os dados mais relevantes para compreender o atual panorama da suinocultura no Brasil:

Aumento no abate de suínos e frangos

O abate de suínos durante o primeiro trimestre de 2021 chegou às 12,53 milhões de cabeças, o que representou um aumento de 4,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. 

Esse crescimento também foi acompanhado pelo abate de frangos, que subiu 2,4% em relação ao trimestre equivalente de 2020, com 1,55 bilhão de cabeças abatidas. 

Na suinocultura, o peso acumulado das carcaças foi de 1,15 milhão de toneladas, o que é 7,2% maior em relação ao primeiro trimestre do ano passado e 2,5% comparado ao trimestre anterior. 

Os dados foram obtidos no relatório Estatística da Produção Pecuária, realizado e publicado pelo IBGE. 

Mato Grosso do Sul em alta 

Em relação às exportações, o grande destaque foi para o Mato Grosso do Sul. O estado do centro-oeste teve um aumento de 15,46% no primeiro semestre comparado a 2020.

Diversos itens registraram crescimento, sendo que a carne suína atingiu 59,44%, na frente de mercadorias como carne bovina (15,26%), de aves (16,48%), derivados de soja (50,6%), entre outros.

O ganho foi de US$ 2,4 bilhões, 14,22% maior do que o alcançado no semestre inicial de 2020. 

Como principal destino das exportações está a China, responsável por 50,71% do mercado. Já o melhor município exportador foi Três Lagoas, com uma fatia de 36,03% do total. 

As informações são da Carta de Conjuntura de julho de 2021, da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar.

Custo de produção

Um fator negativo no atual panorama da suinocultura no Brasil é a alta nos preços dos grãos. O aumento no valor desse insumo elevou significativamente os custos de produção. Se o aumento gerou mais rendimentos aos agricultores, por outro lado as granjas tiveram que lidar com custos mais severos nos insumos alimentares.

Segundo um levantamento do Sistema FAEP/SENAR-PR, mesmo os reajustes recebidos por animal não foram suficientes para compensar as elevações.

Levando em consideração que a alimentação está entre os principais investimentos produtivos, é esperado que os preços sejam inclusive ainda mais pesados no bolso do consumidor final.

Vendas internas em baixa 

As dificuldades do atual cenário financeiro também fez com que as vendas domésticas caíssem, o que consequentemente diminuiu a demanda de frigoríficos por novos lotes de animais de produção. 

De acordo com o Cepea, o mercado interno suíno apresentou-se enfraquecido em julho de 2021, ao contrário do esperado para o setor neste período. Como resultado, os preços dos animais vivos e da carne caíram significativamente em praticamente todas as praças monitoradas pela instituição. 

Nesse contexto, o otimismo segue voltado às exportações de carne suína, que em junho tiveram o maior volume de embarque da história, atrás apenas do recorde de março de 2021.

O que justifica resultados tão melhores em relação ao cenário interno, segundo o próprio Cepea, é o avanço dos envios à China.

Junho termina com feitos inéditos 

Reforçando a visão positiva sobre o panorama da suinocultura no Brasil, está o fechamento da receita cambial de US$270,2 milhões em junho.  Os embarques foram 13,2% maiores do que o mesmo mês em 2020, e somaram 108,8 mil toneladas.

Atrás da China, outros mercados também são de suma importância para atingir resultados tão relevantes, com destaque para o Chile, Vietnã, Filipinas e Argentina.

As informações são da Associação Brasileira de Proteína Animal, que também aponta sinais positivos nos números fechados no primeiro semestre como um todo.

No período de seis meses, 562,7 mil toneladas foram embarcadas, gerando um crescimento de 17,39% em comparação ao mesmo período do ano passado. Já as receitas geradas a partir das exportações foram de US$1,349 bilhão, representando um aumento de 25,4%.

De acordo com a própria ABPA, os excelentes resultados estão atrelados dois fatores principais:

Veja quais são as expectativas para o segundo semestre

Agora que você está por dentro do panorama da suinocultura no Brasil no primeiro semestre de 2021, vamos a algumas expectativas esperadas para o novo período que está começando:

Preço alto por conta da geada 

A alta no preço da carne bovina levou os consumidores a buscarem outras fontes de proteína. O problema é que essas mercadorias podem ficar até 50% mais caras ainda neste ano, como também projeta a ABPA.

Isso está ligado à elevação nos custos de produção observados nos últimos 12 meses, agravado pela redução na produção do milho que é colhido no segundo semestre. 

Só no Mato Grosso do Sul, a intensificação da seca e da geada devem gerar perdas de quase 3 milhões de toneladas nas 8,2 milhões de toneladas previstas para colheita, segundo a Aprosoja.

Essa dificuldade deverá ser minimizada entre os produtores com aumentos nos preços direcionados aos consumidores finais. O repasse irá variar de acordo com os mercados regionais das granjas e frigoríficos, mas espera-se que ele também atinja as exportações. 

Em relação às projeções, os dados da ABPA e da Aprosoja foram compilados pelo portal Avicultura Industrial. 

Valor Bruto da Produção Agropecuária (VTB) 10,5% maior que 2020

Para encerrar, reforçamos que algumas das dificuldades mencionadas neste artigo não são suficientes para que os suinocultores enxerguem o mercado de maneira pessimista.

Afinal, além dos excelentes resultados de exportação, do aumento nos abates e dos recordes atingidos pelo setor, as perspectivas de aumento no VPB  são excelentes.

Em 2021, estima-se que o Valor Bruto da Produção Agropecuária feche em R$ 1,099 trilhão, que é 10,5% maior que os R$ 995 bilhões atingidos em 2020.

A informação é do Sistema Ocepar, calculada com base na produção agrícola e pecuária, bem como nos preços recebidos pelos produtores nas maiores praças nacionais. 

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