Produção de suínos

O que são micotoxinas e como elas afetam a produção suína

Por 2 de junho de 2021Sem comentários

Você sabia que a presença de micotoxinas na alimentação dos suínos pode comprometer significativamente a produtividade da sua granja?

Esses microrganismos estão associados a fungos que atingem os grãos, que podem se desenvolver desde o plantio, até o armazenamento dos insumos e da própria ração. 

Seus tipos são diversos, assim como as consequências negativas que geram aos animais. Por isso, é fundamental conhecer seus melhores meios de controle. 

A seguir, entenda melhor o que são, as variações mais comuns no Brasil e como eliminar as micotoxinas. 

O que são micotoxinas? 

As micotoxinas consistem em substâncias tóxicas produzidas por fungos, capazes de atingir alimentos que normalmente são utilizados na produção de rações. 

Dependendo do nível em que elas atingem a alimentação dos suínos, sua contaminação pode gerar diversos problemas produtivos, relacionados à reprodução, desempenho, patologias, entre outros fatores que causam sérios prejuízos às granjas. 

Em regiões de climas tropicais e subtropicais, como é o caso do Brasil, a alta temperatura e umidade são fatores ideais para o surgimento de micotoxinas em alimentos. 

Além disso, a contaminação pode ocorrer tanto nos estágios pré-colheita, quanto após ela, o que exige uma severa monitoração desde a seleção das sementes, até a fase de plantio e o próprio fornecimento da dieta aos suínos. 

As consequências clínicas que desencadeiam nos animais podem variar de acordo com a concentração e o tipo das micotoxinas, tempo de exposição, idade do suíno, entre outros fatores relacionados.

Inclusive, quando dois ou mais desses microorganismos atuam de maneira associada, a intoxicação é mais severa e gera ainda mais danos. 

Por mais que existam diversos tipos, as micotoxinas em alimentos produzidos no Brasil mais recorrentes são apenas cinco. Saiba mais sobre elas e suas consequências no próximo item.  

As principais micotoxinas causadoras de prejuízos aos suínos

As micotoxinas em alimentos produzidos no Brasil mais comuns são as aflatoxinas, fumonisinas, zearalenona, tricotecenos e ocratoxina A.

Confira quais estágios do desenvolvimento suíno cada uma delas pode comprometer, os problemas ou patologias que geram, os fatores produtivos que favorecem seu aparecimento e a quais fungos elas estão relacionadas: 

  • Aflatoxinas: afetam os suínos principalmente no crescimento e terminação, gerando a redução da ingestão de alimentos, do ganho de peso e hepatopatias. Os fatores que predispõem seu aparecimento é o armazenamento do milho e dos grãos em condições inadequadas. Já os fungos que mais produzem são o Aspergillus flavus e A. parasiticus;
  • Fumonisinas: podem afetar os suínos em todas as suas fases de desenvolvimento, com problemas relacionados à redução do desempenho, edema pulmonar e hepatopatias. A predisposição ocorre em estações secas seguidas de alta umidade e temperaturas amenas. O gênero de fungo produtor é Fusarium;
  • Zearalenona: afeta a saúde de leitões recém-nascidos, além de porcas e leitoas em lactação. Provoca repetição do cio, vulvovaginite, infertilidade e leitegada pequena. Os fatores de predisposição estão associados à temperaturas frias e úmidas. Seu fungo também é o Fusarium;
  • Tricotecenos: atinge suínos em crescimento e terminação, com irritações dérmicas e diminuição na ingestão de alimentos. Estão associados a problemas no armazenamento em produções feitas em temperaturas frias e de alta umidade. O gênero dos fungos produtores é o Fusarium;
  • Ocratoxina A: afeta as fases de crescimento e terminação, com queda de desempenho e lesões renais ao abate. Está relacionada a problemas no armazenamento e aos fungos Aspergillus e Penicillium. 

Como eliminar micotoxinas

Como citamos anteriormente, as micotoxinas em alimentos podem surgir em praticamente todos os estágios produtivos, desde o plantio do insumo até o armazenamento da ração. 

Sendo assim, os meios para eliminá-las devem contemplar tanto a produção dos grãos, quanto seu armazenamento e a própria suplementação alimentar dos animais.

Abaixo, confira como eliminar micotoxinas em todas essas etapas: 

Cuidados para evitar a contaminação dos alimentos durante o processo de produção dos grãos 

No campo, enquanto os grãos são produzidos, algumas ações podem reduzir ou eliminar as chances de contaminação, como:

  • realizar rotação de culturas;
  • fazer a programação do plantio, a fim de evitar altas temperaturas e estresse hídrico durante o desenvolvimento dos grãos e maturação;
  • utilizar sementes desenvolvidas para a resistência ao ataque de fungos;
  • programar um manejo de pragas apropriado;
  • limpar com frequência silos com cereais moídos, mistura e peletização.

Cuidados no controle dos grãos armazenados

Após a produção, o armazenamento dos grãos também exige controles específicos, relacionados ao manejo da temperatura, umidade e taxas de oxigênio ideais. Confira:

Temperatura

Logo após o armazenamento, caso a temperatura dos grãos esteja igual ou acima da temperatura ambiente, é importante reduzi-la o mais rapidamente possível, pois isso favorece o deterioramento dos mesmos. 

Umidade

Para inibir o surgimento e desenvolvimento de microrganismos, a umidade não pode ter grandes variações dentro do silo e sempre deve estar em níveis menores que 13%.

Taxas de oxigênio

Por fim, a taxa de oxigênio também está associada ao crescimento de microrganismos aeróbicos, o que significa que ela precisa ser reduzida durante a armazenagem. 

Adsorvente de micotoxinas 

Você sabe o que são adsorventes de micotoxinas?

Como você pôde notar até aqui, os fatores que favorecem o surgimento de fungos são variados e bastante amplos, e isso facilita que falhas no seu controle ocorram em diferentes fases da produção. 

Por conta disso, mesmo que o alimento tenha uma origem segura, é importante atuar de maneira preventiva para minimizar os prejuízos junto aos animais, adotando medidas de controle nas próprias rações

Nesse sentido, o método mais comum é o emprego de adsorventes de micotoxinas nas dietas, que têm como função fixar-se a esses microorganismos e encaminhá-los para fora do organismo dos suínos. 

Ou seja, a função dos adsorventes é evitar que esses agentes danosos sejam absorvidos, ou reduzir sua absorção no trato gastrointestinal, de forma a minimizar significativamente seus efeitos negativos. 

Para determinar qual a melhor fase produtiva para destinar os adsorventes, também é importante monitorar as matérias-primas utilizadas nas rações, por meio de análises micotoxicológicas (que também servem para apontar se os cuidados no manejo de grãos citados anteriormente são efetivos). 

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